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Venha ver a natureza do Alentejo em Mora

Mora – visitar um concelho que tão bem representa o Alentejo

Mora é, como tantas outras, uma bonita vila alentejana, situada em plena charneca decorada com sobreiros. Representa com encanto, a paz e tranquilidade tão característica das terras e, claro, das gentes alentejanas. Está dividida em quatro encantadoras freguesias: Brotas, Cabeção, Mora e Pavia.

O nome da vila apareceu pela primeira vez em 1293, num documento chamado “Livro III das Composições”, em referência à herdade «Cabeça de Mora». O termo «Mora» está relacionado com “altura” ou “parte elevada” e tudo indica que foi no local onde se encontrava esta herdade que a vila foi fixada. O Largo do Calvário é referenciado pelos mais entendidos, sem certezas, como o local de nascimento da vila de Mora.

Para ficarmos a conhecer melhor o concelho de Mora, precisamos de visitar cada uma das suas freguesias. Uma por uma.

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Fluviário de Mora – venha conhecer a vida nas águas do Alentejo

Visitar Mora – Cabeção

Se não for pescador mas, ainda assim, apreciador da natureza pura desta zona do Alentejo, refresque-se com um mergulho nas águas limpas da Praia Fluvial do Parque Ecológico do Gameiro. Esta fica num açude com o mesmo nome, já na freguesia de Cabeção. Não se esqueça de levar a toalha e um pequeno lanche para saciar a fome.

No Parque Ecológico do Gameiro, a escassos 5 km de Mora, as atividades não acabam. Se gosta de acampar pode fazê-lo aqui dentro, no Parque de Campismo, mesmo ao lado da praia Fluvial. Certezas? Não vai enfrentar filas de trânsito, a praia não vai estar lotada, a temperatura da água vai estar perfeita e as crianças, caso as tenha, podem brincar no parque infantil. Se são daquelas que nunca se cansam, depois da praia leve-as até ao Parque Arborismo, dedicado à prática de atividades radicais para os mais novos. Antes ou depois, explore também a beira-rio seguindo o Passadiço em Madeira ao longo de 1,5km.

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Parque Ecológico do Gameiro, Cabeção, Mora

Ainda dentro do Parque Ecológico do Gameiro, mais uma atração: o Fluviário de Mora, uma espécie de “oceanário de água doce”. Com vários aquários e espaços diferentes, aqui encontra recriado um ecossistema dos rios portugueses, com as várias espécies de peixes que habitam, ou habitaram, os nossos rios. Este fluviário é a primeira estrutura deste género na Europa e a terceira no mundo. Um grande motivo para visitar Mora. Agradará, de certeza, a miúdos e graúdos.

Visitar Mora – Pavia

A apenas 15km de Mora, a vila de Pavia é um local a não perder. Território povoado desde a pré-história, é lar de cerca de 200 monumentos de megalitismo funerário, alguns em estado de degradação.

A Anta de Pavia (IV ou III milénio a.C.), transformada em Capela de São Dinis no século XVII, é o ex-libris da vila. É uma das antas mais importantes de Portugal e uma das maiores da Península Ibérica. Os seus três monólitos verticais são as suas paredes e a laje de cobertura o seu teto. O altar encontra-se revestido com azulejos lisbonenses do século XVIII. Em Pavia, visite ainda a Igreja Matriz, edificada no século XVI e dedicada a São Paulo.

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Capela de São Dinis, Anta de Pavia, Mora

Visitar Mora – Brotas

Brotas também merece a sua visita, situada a cerca de 10km de Mora. Aldeia pacata, pequena mas de grande e invulgar beleza, é dona de um património arquitetónico digno de respeito. O seu casario branco estende-se como se de um anfiteatro se tratasse, subindo e descendo as pequenas encostas da povoação.

Do seu património destaca-se o Santuário de Nossa Senhora de Brotas, em memória de uma aparição milagrosa a um pastor e sua vaca. É um templo com características acentuadamente populares e que se enquadra na linha do manuelino e do barroco.

No século XVII, o seu interior foi revestido a azulejo e a sua fachada remodelada. Em meados do século XVIII, a torre sineira foi restaurada e aplicados novos azulejos. Foi classificada como Monumento Nacional em 1956, tendo depois começado a ser reconstruída no ano seguinte. Recomeçou as obras no final do século XX e no início do nosso século foram, finalmente, restaurados os seus azulejos. Aqui pode encontrar exemplares de pintura, escultura e uma coleção de fatos da procissão da Sra. Das Brotas, bordados a ouro. Esta representa, afinal, mais uma boa razão para vir até ao concelho de Mora.

A emoldurar o Santuário tem a Barroca de Nossa Senhora das Brotas, um corredor de casas, as chamadas Casas de Confraria. Estas pertenciam a diversas confrarias e serviam para dar guarida aos peregrinos que visitavam o Santuário de Nossa Senhora de Brotas. Hoje ainda pode ver, em cada uma das casas, as lápides aí colocadas com o nome das confrarias a que pertenciam. Atualmente são Casas de Romaria, utilizadas para turismo rural, onde poderá desfrutar da calma da aldeia para descansar de todas as atividades da região.

Afastando-se um pouco mais de Mora mas perto de Brotas, fica ainda a antiga Vila das Águias, onde pode ver a imponente “Torre das Águias”, mais um Monumento Nacional. Começou a ser construída no ano de 1520, reinado de D. Manuel I, ao que se pensa, sobre uma estrutura anterior. A sua construção segue o modelo das casas-torre. De arquitetura civil e militar, esta torre é um dos exemplares mais importantes de torres manuelina nesta região.

Visitar Mora – a vila

Quando passear pela vila de Mora, poderá começar, por exemplo, pela Torre do Relógio, um dos pontos de desenvolvimento da mesma. Visite a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça (século XVI/XVII), e contemple no seu interior os elementos oitocentistas de influência neoclássica, acrescentados já depois de restaurada.

Continue e passe pela Igreja da Misericórdia, um templo de construção quinhentista. Aqui encontrará uma raridade: um dos sinos mais antigos do país (século XIV), originário do Convento de São Bento de Cástris (Évora).

Siga até à Ermida de Santo António, em tempos ermida de peregrinação, e admire o seu interior, bastante rico ao nível arquitetónico, e a simplicidade da fachada exterior. Já nos arredores, não se esqueça de passar pelo Cromeleque de Mora, um magnífico vestígio pré-histórico, com seis monólitos ainda de pé, de forma ovoide e planta em ferradura.

Mora também prima pela sua gastronomia. Aqui, o pão é rei e senhor de vários pratos típicos alentejanos. Se quiser comer bem, prove as famosas Migas de Espargos, a Sopa de Cação, as carnes de porco preto, o Ensopado de Borrego, a Sopa de Coelho, a Tomatada e a Sopa de Beldroegas. Para além dos tão afamados pratos de caça, cada vez mais procurados. Arranje tempo para provar todas estas iguarias.

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Arborismo no Parque Ecológico do Gameiro, Mora

Para elevar este tipo de comida ao seu melhor, a bebida é de grande importância em terras de Mora. Por isso, para complementar a sua degustação, a sugestão é que a acompanhe com um bom vinho alentejano. Os vinhos da vila de Cabeção são os mais prestigiados. Talvez por serem feitos de forma artesanal, em talhas de barro, algumas delas dos séculos XV e XVI.

As festas também convidam a uma passagem por cá. Se gostar de ver eventos relacionados com a pesca, venha até à Feira Nacional de Artigos de Pesca Desportiva, em fevereiro. A ExpoMora, feira anual da vila, decorre em setembro. Se for mais um apreciador da boa comida à moda alentejana, não deixe de ir à Mostra Gastronómica da Caça, em dezembro.

Independentemente daquela que for a sua vontade, Mora oferece-lhe muitas escolhas e, sobretudo, muito vagar para fazer tudo. Pode fazer vários percursos pedestres e aproveitar a calma para ficar deslumbrado com a natureza que o rodeia. Pedale também sem pressas por entre locais onde o tempo para. Esteja em permanente contato com a fauna e flora. A observação de aves como a Garça-real, o Milhafre Real, o Guarda-rios e outras menos comuns mas igualmente espetaculares como a Cegonha Preta ou o Abutre Preto são atividades altamente terapêuticas e enriquecedoras. Tal como a observação de plantas como o salgueiro, o freixo e o choupo.

A cultura também marca presença forte. A atual Casa da Cultura de Mora, antigo Hospício de São Nicolau Tolentino (1711), é um espaço com várias valências a este nível. Decerto que encontrará motivos para a visitar, seja uma exposição, um concerto… qualquer coisa.

Visitar Mora – o paraíso da pesca

Em Mora, encontramos uma das melhores pistas de pesca do mundo. Mas o concelho tem duas. A Pista Internacional de Pesca Desportiva de Mora estende-se por 1km e tem capacidade para 60 pesqueiros. A Pista Internacional de Pesca Desportiva do Cabeção, na Ribeira do Raia, tem 3km e capacidade para 190 pesqueiros. Como vê, pode escolher. Se for conhecedor desta arte, dedique-se à pesca das muitas espécies que vivem por estas águas: carpa, barbo, pimpão, boga, perca, enguia, peixe-gato.

As condições deste território, a beleza da paisagem e as suas infraestruturas, já deram a Mora o estatuto de anfitriã de provas desportivas de grande importância a nível nacional e internacional, incluindo campeonatos do Mundo de juvenis ou de Seniores.

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Como viu, o interesse turístico de Mora não se esgota na vila. Visitar todo o concelho representa uma oportunidade para si e para os seus, que não deve deixar para outra altura. Traga a cana de pesca e a indumentária adequada para praticar esta ou outra atividade. Ou traga simplesmente uma manta e uma cesta de piquenique para, entre passeios, relaxar sob o olhar atento da Natureza.

A água dos rios, ribeiros, barragens e pegos do concelho, as antas e vestígios pré-históricos, os sobreiros e as oliveiras de sempre, enraizadas no chão alentejano, vão levá-lo numa viagem memorável. Tudo isto num território com ainda muito por explorar. É, por isso, uma viagem pelas paisagens por desbravar e pelas sensações por conhecer. É uma viagem pelo Alentejo rural e intemporal.

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