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Viana do Alentejo

Visitar Viana do Alentejo – património, tradição e gastronomia

Viana do Alentejo, uma tradicional vila alentejana, situa-se na serra com o mesmo nome, Serra de Viana do Alentejo. De relevo pouco montanhoso, o ponto mais alto deste concelho, e desta serra, é o Pincarinho de São Vicente, com 374 metros de altitude.

A vila encontra-se envolvida por lindas paisagens, o que claramente lhe confere interesse porque o cenário é, de facto, de grande beleza. As planícies alentejanas, pintalgadas por montes e montados, são autênticas beldades.

Viana do Alentejo – a História

Esta pequena vila era inicialmente chamada “Viana a par d’Alvito”. De acordo com fontes históricas, as suas origens remontam ao reinado de D. Afonso III, altura em que lhe foi concedida a primeira carta de foral, depois renovada por D. Dinis.

No território de Viana do Alentejo a pré-história não deixou vestígios significativos da sua cultura material. No entanto, da ocupação romana ficaram muitos testemunhos arqueológicos. Estas heranças encontram-se principalmente no local da ermida de Nossa Senhora d’Aires, onde foram encontrados restos de uma necrópole com lápides funerárias e moedas da época dos primeiros imperadores.

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Campos na estrada Évora-Viana do Alentejo

Na época romana existiam dois caminhos que faziam a ligação entre Ebora (Évora), a antiga Pax Julia (Beja) e a Salacia (Alcácer do Sal). Estas duas rotas ainda hoje cruzam o concelho de Viana do Alentejo de norte a sul. Ao longo destes dois itinerários foram surgindo aglomerados urbanos importantes, onde o culto Mariano a Nossa Senhora D’Aires e Nossa Senhora da Esperança se tornou num dos mais importantes do Alentejo.

Durante muitos séculos, as fontes de água naturais facilitaram a fixação do Homem nestas terras, que assim foi lutando contra a sede das planícies da região, fazendo hortas e recheando de chafarizes e fontes as agradáveis ruas de Viana do Alentejo.

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Chafariz do Rossio das Hortas, à saída para Alcáçovas

Viana do Alentejo – o que visitar

Começamos por referir os chafarizes e fontes para visitar em Viana do Alentejo. Empregámos anteriormente o termo “rechear” porque este é o verbo correto, já que aqueles elementos não faltam nas ruas de Viana, tornando-as, de certo modo, mais frescas durante o tempo quente alentejano. Quando cá vier, refresque-se e aprecie, entre outras, cada uma das seguintes fontes e chafarizes.

  • Chafariz do Rossio das Hortas, 1904 – em tempos serviu de lavadouro municipal, hoje ainda se pode ver aí o escudo de armas das quinas.
  • Fonte da Praça da República (Fonte dos Escudeiros, ou Fonte da Renascença), século XV – um dos mais antigos monumentos e um ótimo exemplar da sua época, construído em mármore, restando-lhe três gárgulas.
  • Fonte das Freiras, século XVIII – situada no Jardim Público, foi construída a pedido das freiras do Convento de Jesus para tornar gratuito o abastecimento de água.
  • Fonte da Cruz, século XIX – um dos mais importantes monumentos do concelho, no qual se pode ver a taça com três bicas de bronze fundido.

O património de Viana do Alentejo é rico e diverso, misturando épocas e estilos, como podemos verificar quando olhamos para o Castelo e para a Igreja Matriz, ou para o Convento de Nossa Senhora da Piedade ou de São Francisco (século XVI), a Igreja da Misericórdia, as Ermidas de S. Sebastião e de S. Vicente, o que ainda resta do Convento de Jesus, a Igreja de S. Vicente (em Alcáçovas), ou o Santuário Nossa Senhora d’Aires. Este último é visitado por peregrinos desde 1743.

No centro histórico de Viana do Alentejo temos o Castelo, com uma posição dominante sobre a vila. É talvez o monumento mais antigo do concelho. Considerado um dos mais importantes conjuntos arquitetónicos fortificados do final do período gótico, é um marco histórico-cultural notável. Funciona como o ponto principal de onde irradiam as várias ruas da vila.

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Castelo de Viana do Alentejo

Esta magnífica fortaleza, foi mandada construir por D. Dinis, no ano de 1313. Foi mais tarde reedificado por D. João II, mantendo ainda características do projeto inicial. Construído em alvenaria de pedra, possui uma planta pentagonal com cinco torres cilíndricas. É de estilo gótico mas com alguns ornamentos em estilo manuelino. É o caso da porta lateral, um dos símbolos do Castelo. Ainda conserva os volumes originais do século XVIII e os motivos mudéjares e manuelinos. Foi considerado Monumento Nacional de Portugal em 1910.

No interior do Castelo, pode visitar a Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia. A Igreja Matriz de Viana é uma construção manuelina com influências mudéjares. Tem planta retangular regular e apresenta uma ampla nave. Na fachada principal vê-se um bonito portal manuelino e um arco em volta perfeita. As pinturas murais do século XVIII embelezam o interior, estruturado em três naves de cinco tramos.

A norte da muralha do Castelo, encontramos a Igreja da Misericórdia de Viana (século XVII), uma construção religiosa da Confraria da Misericórdia da vila. O seu portal manuelino é espetacular, bem como a abóbada da capela-mor e os padrões de frescos e azulejos multicolores do século XVII, que guarnecem a nave.

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Igreja Matriz, interior do Castelo de Viana do Alentejo

Pode também contemplar o Convento do século XVI. Em tempos idos, aqui viviam as freiras da Ordem Franciscana. Mais tarde, no século XIX, este edifício passou a acolher uma creche, a primeira criada no país.

O Santuário de Nossa Senhora d’Aires, já fora do centro da vila, construído em mármore e granito, é de visita obrigatória. É um templo Mariano cuja construção começou em 1743 e foi concluída apenas em 1804. Atualmente, o Santuário é local de devoção e romaria.

De traça barroca, com elementos rococó, guarda no seu interior, na Casa dos Milagres, uma célebre coleção de ex-votos, legado de grande valor. O teto do Santuário e as paredes da igreja encontram-se forrados de pinturas.

Relativamente ao património imaterial de Viana do Alentejo, este é imenso. Podemos começar por lhe despertar a curiosidade com o afamado evento gastronómico de nome “Almoço dos Ganhões”, uma recriação destas refeições. Os ganhões eram trabalhadores agrícolas que pernoitavam e cozinhavam na chamada casa do ganhão das grandes herdades alentejanas. Hoje em dia, esta atividade é celebrada anualmente de forma alegre e efusiva pelos vianenses.

A “Feira d’Aires” é outra das muitas atividades em que pode participar no concelho. É uma feira centenária, com manifestações religiosas, música e comércio tradicional (entre outros). Esta feira tem lugar em volta do Santuário de Nossa Senhora d’Aires e acolhe milhares de pessoas todos os anos, em setembro.

Para além deste evento, marque presença também nos seguintes:

  • “Pedreira dos Sons”, final de maio – uma espécie de sala de concertos ao ar livre, numa pedreira de mármore desativada em Viana;
  • “Romaria a Cavalo”, final de abril – crentes e curiosos visitantes juntam-se para ver passar em procissão os peregrinos montados a cavalo;
  • “Semana Cultural – Viana em Festa”, na semana antes da “Feira d’Aires” – atividades culturais e desportivas para todos.

Mas há muito mais entretenimento em Viana do Alentejo. Apesar de pequena em tamanho, Viana é grande e rica em festa, boa disposição e gente humilde. Pode, pois, assistir ao Festival Jovem “Abana Viana”, com um ambiente jovem e cheio de animação.

O artesanato de Viana também é muito conhecido. Destaca-se a olaria, uma das mais antigas e tradicionais atividades da vila, mas também os… chocalhos. Os famosos chocalhos que, na vila de Alcáçovas, protagonizam outro evento que atrai gente de “todas as bandas”: a “Feira do Chocalho”, em Julho, no auge do calor alentejano.

Com calor ou sem ele, o certo é que a vila se veste de festa, de cor e alegria, para os que cá vivem e para si, que vem de visita. Há as tradicionais barraquinhas de artesanato, de “comes e bebes”, exposições… animação para todos. Pode e deve visitar o atrativo Museu dos Chocalhos para perceber porque estes foram classificados Património Cultural Imaterial pela Unesco.

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Também em Alcáçovas, a “Mostra de Doçaria”, é uma iniciativa que valoriza o património gastronómico vianense, que é infindável e… muito doce. Não pode deixar esta região sem antes descobrir as suas doces qualidades gastronómicas. Viana guarda grandes segredos desta arte. Terra de conventos e palácios reais passou ao longo dos séculos tradições da doçaria conventual que ainda hoje nos “adoçam” os sentidos. Experimente os famosos “Amores de Viana” para sentir um pedacinho do que é estar perto do céu. Depois destes, prove o “Bolo Real das Alcáçovas”, ou os “Nógados”, ou o “Bolo de Torresmos”, ou o “Bolo de Rodilha”, ou ainda as “Bolotas Cobertas”… Todos bons para a alma!

Ainda no concelho, na estrada entre Évora e Viana do Alentejo, encontramos a aldeia de Aguiar. Aqui, poderá visitar a Anta de Aguiar ou Anta do Zambujeiro, um monumento megalítico cujas origens remontam ao período neolítico. A anta está tombada mas é possível ver a câmara funerária, o corredor e a laje que tudo cobria.

Para umas férias ou fins-de-semana diferentes, tranquilos ou agitados, venha ao Alentejo, até Viana e às freguesias em seu redor.

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