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Estrada até ao Castelo de Estremoz

Estremoz – visitar a histórica cidade branca do Alentejo

Estremoz é a “cidade branca” do Alentejo. Reconhece-se ao longe pelo seu casario branco, espalhado ao longo de uma colina, abraçado por velhas muralhas e protegido, noutros tempos, pela imponente Torre de Menagem. As gentes de Estremoz são pessoas afáveis e hospitaleiras, como todas as gentes alentejanas.

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Vista do Alentejo desde a torre da Pousada Castelo Estremoz

O epíteto de “cidade branca” deve-se, para além da cor do casario, às jazidas de mármore branco, o célebre “Mármore de Estremoz”, que tornou a cidade conhecida a nível internacional. A extração desta matéria-prima no Alentejo faz de Portugal o segundo maior exportador do mundo, contribuindo Estremoz com cerca de 90% do total de mármore. Considere uma visita a uma destas jazidas numa vinda até cá.

Estremoz é local de trabalho árduo nas vinhas, olivais, extração de mármores,… mas é também prazenteiro para o visitante. É local de paz quando prolongamos o olhar pelos infindáveis olivais e vinhas. Estas dispõem-se no terreno de uma forma tão harmoniosa e simétrica que nos faz lembrar as linhas dos cadernos pautados levados para a escola para ali se escrever da riqueza da História de Portugal, da qual o Alentejo e Estremoz orgulhosamente fazem parte.

Visitar Estremoz – Visitar a História

Casa de muitos reis e rainhas de Portugal, em particular de D. Dinis e da Rainha Santa Isabel, Estremoz é-nos apresentado como um local de um património riquíssimo, tanto do ponto de vista cultural como arqueológico, patente nos inúmeros monumentos espalhados pela cidade. É um dos concelhos mais importantes de todo o Alentejo do ponto de vista histórico.

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Estátua da Rainha Santa Isabel, Castelo de Estremoz

Os vestígios da presença humana no concelho de Estremoz remontam, pelo menos, ao período Paleolítico. Várias antas do período Neolítico comprovam também essa presença. Na Serra D’Ossa existe um conjunto muito relevante daqueles monumentos funerários.

Bem mais tarde, por alturas da ocupação Romana e Muçulmana, Estremoz já tinha a sua importância e continuou a mantê-la durante toda a Idade Média. Quanto à fundação do concelho propriamente dito, esta data de 1258. Foi neste ano que D. Afonso III concedeu foral régio à antiga povoação Celta presente neste local da paisagem alentejana.

Estremoz foi palco de grandes acontecimentos históricos. Transformada em “Praça de Guerra”, aqui se deram inúmeras batalhas de grande importância para Portugal e para a nossa História. Duas foram determinantes para a independência de Portugal: a Batalha do Ameixial e a Batalha dos Montes Claros.

Estremoz – Visita guiada… com espaço para as suas descobertas

Depois da história da cidade, uma (pequena) visita guiada a Estremoz! Um aperitivo do VisitÉvora para o ajudar a conhecer o Alentejo de modo a que, depois, aquando da sua visita, possa passar ao prato principal que é conhecer Estremoz no seu todo com os seus próprios sentidos. Sim, porque esta terra de reis e rainhas também é terra de boa comida e bom vinho.

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Vinhas com vista para o Castelo de Estremoz

A entrada da cidade é feita por uma das quatro portas que trespassam as muralhas do Castelo: Porta de Santo António, Porta de Santa Catarina, Porta dos Currais (ou de Nossa Senhora dos Mártires) e Porta de Évora (ou Porta Falsa). São construções medievais do século XVII em mármore da região, que representam apenas algumas das obras de arte que pode ver ao visitar Estremoz.

Sendo verdadeiras obras de arte também são, muitas delas, Monumentos de Interesse Público e é um privilégio perder-se por aqui, no meio de tanto património. Entre muitos outros lugares históricos de destaque em Estremoz, estes são de visita obrigatória.

  • Castelo de Estremoz
  • Café Águias D’Ouro
  • Convento dos Congregados
  • Igreja de Santa Maria e Santiago
  • Torre das Couraças
  • Fonte das Bicas
  • Capela de Nossa Senhora dos Mártires
  • Claustro da Misericórdia

É de notar que a cidade de Estremoz está dividida em duas zonas bem demarcadas, de belezas e encantos distintos. Uma é a zona baixa e comercial, chamada “vila nova”, que se prolonga pela área plana da cidade. A outra, a “cidade velha”, situa-se na zona alta, junto ao Castelo, onde se chega por entre ruas labirínticas e sinuosas. Uma vez no topo, desfrute do prazer da riqueza monumental da paisagem alentejana. Até onde a vista alcança.

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Rua do Castelo de Estremoz

Dois conjuntos de muralhas medievais envolvem a cidade: o primeiro conjunto data do século XIII e encontra-se em volta da “cidade velha”; o segundo corresponde à cerca de muros fortificados levantado para defender a baixa de Estremoz durante a Guerra da Restauração.

Foi Afonso III que mandou construir a muralha medieval de Estremoz, em 1261. Os que lhe sucederam mandaram melhorá-la, principalmente o seu filho, D. Dinis. Esta muralha tem duas portas principais opostas: a Porta do Sol (ou da Frandina) e a Porta de Santarém. A última terá sido, inicialmente, a porta principal de entrada nesta vila medieval.

O Castelo de Estremoz, construído no século XIII entre os reinados de D. Afonso III e de D. Dinis, é uma das imagens de marca da cidade. Foi apenas no reinado de D. Sancho II que o castelo passou definitivamente para o domínio português. Foi também durante este reinado que sofreu obras de reconstrução, que tiveram continuidade nos reinados posteriores.

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Porta do Sol, Castelo de Estremoz

Com D. Dinis procedeu-se à construção do Paço Real de Estremoz. Aqui viveu este rei desde 1281, por alturas do seu noivado com D. Isabel de Aragão, mais tarde Rainha Santa Isabel. Foi aqui que viveram e foi aqui que viria a morrer a Rainha Santa, em 1336. Certamente irá encontrar a estátua em sua homenagem.

Do castelo de Estremoz destaca-se a imponente Torre de Menagem, ou Torre das Três Coroas, com cerca de 28m de altura, feita de mármore claro. É considerada uma das mais belas Torres de Menagem de Portugal. Este castelo serviu ainda de quartel-general às tropas de D. Nuno Álvares Pereira, na Batalha dos Atoleiros, em 1384.

Entre 1967 e 1969, o antigo Paço Real sofreu uma grande intervenção, a fim de requalificar o espaço. É agora a Pousada do Castelo de Estremoz (antiga Pousada Rainha Santa Isabel), uma das mais majestosas e luxuosas de Portugal.

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Paisagem Alentejana com a Serra d’Ossa ao fundo, Castelo de Estremoz

É um local a visitar, sem dúvida alguma! Mesmo não dormindo aqui, é possível entrar e visitar a Torre de Menagem. Vamos poupar-nos as palavras que poderíamos empregar para descrever a vista. Terá de subir os degraus para a vislumbrar.

Entre quartos e suites e uma sala de refeições magníficos, na Pousada do Castelo de Estremoz pode ainda apreciar e saborear a conhecida gastronomia da região. Depois de uma inesquecível refeição, num inesquecível espaço, descontraia nos jardins palacianos da pousada que contrastam com a zona da piscina.

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A Capela da Rainha Santa Isabel situa-se no local onde se diz terem sido os seus aposentos reais. É tida, por vários especialistas, como um dos mais distintos registos iconográficos da tradição isabelina em Portugal. Tem uma única nave. No seu interior sobressaem os lindíssimos painéis de azulejos e as telas a óleo do século XVIII. Neles estão retratados episódios da vida e imaginário lendário da Rainha Santa, especialmente os milagres que lhe são atribuídos.

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Pátio interior da Pousada Castelo Estremoz

Deixamos para trás a parte alta e mais antiga da cidade e descemos o monte até o Rossio Marquês de Pombal, no terreiro da baixa da cidade. No meio do casario, vemos elevar-se o Convento das Maltesas ou de São João da Penitência, edifício classificado como Monumento Nacional. Aqui destaca-se o Claustro da Misericórdia, o mais extenso de todos os conventos da cidade. É um edifício de estilo gótico-manuelino e de grandes pormenores arquitetónicos e artísticos, onde atualmente se situa o Centro de Ciência Viva de Estremoz, um museu interativo e pedagógico.

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Centro de Ciência Viva de Estremoz

Bem perto encontramos a bela Igreja de São Francisco, no centro da Praça dos Combatentes da Grande Guerra Mundial. Apesar de ter sido edificada no século XIII, foi alvo de grandes reformas no século XVIII. Destas salienta-se a sua bela fachada em estilo rococó. Lá dentro, onde se podem ver três naves em estilo românico tardio, destacam-se os brasões do rei D. Afonso III e de sua esposa Beatriz, a Capela Terceira e a Capela de D. Fradique de Portugal.

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Igreja de São Francisco, Estremoz

Inspirado no barroco italiano, a construção do Convento de Nossa Senhora da Conceição ou Convento dos Congregados em Estremoz iniciou-se no século XVI. Primeiro foi palácio. Mais tarde, em 1698, foi tornado Convento da Congregação do Oratório de S. Felipe Nery, o qual sofreu algumas obras. Em 1703, a igreja já estava começada. No entanto, nunca foi concluída até 1961. A sua fachada, em mármore rosa, seria finalizada apenas em 1967. Em 1971, foi classificada como Imóvel de Interesse Público. Em 1974 foi terminada a abóbada da capela-mor.

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Igreja do Convento dos Congregados de Estremoz

Propriedade da Câmara Municipal de Estremoz, a igreja acabou por ser cedida à Paróquia de Santo André e foi inaugurada em 1995, três séculos depois de ter sido começada. Uma vez no interior, não deixe de ver o conjunto de azulejos dedicados à vida e milagres de S. Felipe Nery. Com a extinção das Ordens Religiosas, o Convento cedeu as suas instalações à Câmara Municipal e, mais tarde, à Biblioteca Municipal e ao Museu de Arte Sacra.

Outro dos ícones de Estremoz nada tem de religioso. Construído já no século XX, entre 1908 e 1909, o Edifício do Café Águias d’Ouro funcionava, inicialmente, como buffet e sala de bilhar. Em 1964, o primeiro piso foi transformado em restaurante, com o qual se perderam alguns dos seus elementos característicos.

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Café Águias d’Ouro, Rossio de Estremoz

Olhando para este café somos relembrados de ambientes lidos apenas em obras da nossa literatura. Café de tertúlias do início do século XX, faz parte da memória coletiva de quem por aqui teve o privilégio de passar, entrar e conviver. É um dos poucos sobreviventes do género e, também por isso, foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1997.

Ainda perto do rossio, o Lago do Gadanha não nos deixa indiferentes, sendo um dos ex-líbris de Estremoz. Construído em 1688, dizia-se que era capaz de “saciar a sede de todo o nosso exercito”. Aproveitando a água da quase vizinha Fonte Nova, este lago enche-se para rodear a estátua do “Gadanha”, trazida do Convento dos Congregados em meados do século XIX. Esta representava originalmente o deus Saturno, símbolo de fartura e abundância. Com o tempo, passou a simbolizar o efémero e a rapidez com que a vida acontece. A condizer com a água do lago, logo ao lado encontramos o verde Jardim Municipal de Estremoz. Para o descanso merecido das caminhadas pela cidade.

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Visitar Estremoz – Lago do Gadanha

Estremoz – Levar recordações e memórias para casa

Artesanato de Estremoz

Representantes do riquíssimo artesanato alentejano, os famosos “Bonecos de Estremoz” provam que esta arte também é importante por aqui. São exemplo de uma cerâmica figurativa, de cores vivas e alegres, presente em todos os concursos e feiras do país.

Peças em barro vermelho, cortiça, e couro podem ser encontradas no tradicional mercado de sábado, no Largo do Rossio. Aqui também vai encontrar frutas e vegetais locais, especiarias gastronómicas e muitas, muitas velharias. Se é um apreciador de antiguidades, este será um local perfeito para encontrar aquilo de que não andava à procura.

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Estrada até ao Castelo de Estremoz

Comer e beber em Estremoz

Mudando de assunto para falar da inesquecível gastronomia alentejana, rica em cheiros e sabores, a de Estremoz traz muitos visitantes à cidade, que se deleitam com tão apetitosos repastos. Difícil é escolher de entre tanta qualidade e variedade!

Alguns dos pratos mais típicos em Estremoz são o “ensopado de borrego”, “pezinhos de centrada”, “carne de porco com amêijoas”, “sopa de cação”, “açorda”, e “migas…” de tudo aquilo que a sua imaginação alcançar. Mas há muitos mais, igualmente deliciosos.

Tão apuradas refeições merecem ser acompanhadas por um vinho igualmente afamado. Estremoz é conhecida e reconhecida pela produção de vinho alentejano de excelente qualidade, o verdadeiro “néctar dos deuses”.

Para encerrar uma refeição em grande, provamos uma deliciosa sobremesa, a doce “sericaia”. Para ir, calmamente, apreciando com um espetacular licor de poejos.

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Estremoz é mesmo o local ideal para uma escapadinha das cidades grandes e do seu bulício ininterrupto, para mergulhar na História, calma e pacatez de uma cidade pequena, “metida” no meio de um Alentejo inolvidável.

Sugestão de passeio
estremoz camposAo visitar o Alentejo em Estremoz vai ver bonitos campos de sobreiros. Conheça o montado mais de perto fazendo um dos nossos passeios de jipe ou caminhadas. Aprenda tudo sobre a cortiça na incrível paisagem da Serra d’Ossa e faça uma prova de vinho alentejano perto de Estremoz.
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