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Visitar Mértola, vila-museu no Alentejo

Visitar Mértola, a vila-museu do Alentejo (Portugal)

Mértola, também apelidada de Vila-Museu, é uma tranquila vila raiana muralhada, situada num penhasco sobranceiro ao rio Guadiana, no distrito de Beja, Baixo Alentejo. Foi em tempos um dos mais importantes portos fluviais do Mediterrâneo e, por isso, visitar Mértola é fazer uma viagem ao passado, rumo à descoberta de vestígios da presença de grandes civilizações – dos romanos, passando pelos visigodos e muçulmanos, até aos cristãos.

Longe do bulício dos grandes centros urbanos, Mértola, com o seu clima ameno, convida-nos a passeios tranquilos pelas suas ruas e ruelas, descobrindo, por entre o branco casario, os seus recantos cheios de história. A coroar a vila encontra-se o Castelo de Mértola, que, altivo, domina toda a paisagem circundante, e que nos desafia a explorá-lo.

Lá em baixo, as águas do Guadiana tentam-nos para um passeio de barco a relembrar rotas ancestrais. Nos dias mais quentes é uma experiência muito refrescante!

Visitar Mértola – breve história

As origens de Mértola remontam ao período neolítico. Veio a tornar-se num importante entreposto comercial frequentado por Fenícios e Cartagineses, graças à sua posição estratégica junto ao último troço navegável do rio Guadiana, que em grande parte do Alentejo separa Portugal de Espanha.

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O Rio Guadiana, sempre presente em Mértola

Durante o período romano, Mértola, então Mirtylis Iulia, era um importante porto fluvial, onde se desenvolveu um intenso comércio com os principais portos do Mar Mediterrâneo oriental. Ainda hoje é possível identificar os vestígios romanos no Criptopórtico, na Torre Couraça, na casa romana e nas vias romanas.

Após a queda do Império Romano, a vila foi ocupada pelos Visigodos, que deixaram vestígios arquitetónicos da sua presença, nomeadamente colunas e pilastras, que podem ser vistos numa exposição patente na Torre de Menagem do Castelo.

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Vista sobre o Rio Guadiana e a Ribeira de Oeiras desde o topo do Castelo de Mértola

Após a invasão muçulmana, no século VIII, Mértola, que passou a ser denominada Mārtulah, continuou a manter a sua importância comercial, por ser o porto mais Ocidental do Mediterrâneo. Este foi o período de maior dinamismo económico, culminando no crescimento e apogeu da urbe, que se tornou, durante um curto espaço de tempo, capital de um pequeno emirado islâmico independente, a Taifa de Mértola. A importância de Mārtulah é bem visível na riqueza do seu património islâmico, posto a nu por duas décadas de escavações arqueológicas. Hoje, pode ser revisitado no núcleo de Arte Islâmica do Museu de Mértola.

Durante a Reconquista Cristã, Mértola foi conquistada aos mouros no reinado de D. Sancho II de Portugal, pelo comendador da Ordem de Santiago, Paio Peres Correia, em 1238. Mais tarde, em 1512, D. Manuel I dá Foral à vila e durante os séculos XVI e XVII, o seu porto atinge novo fulgor com a exportação de cereais para as ocupações portuguesas no Norte de África.

No final do século XIX, com a descoberta da jazida mineral em S. Domingos, Mértola conhece uma nova época de prosperidade, que se traduziu num elevado crescimento demográfico. No fim da década de cinquenta, a exploração mineira começou a diminuir e em 1965 a Mina encerrou definitivamente.

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Interior da Igreja Matriz de Mértola – arquitetura islâmica, religião católica

O que visitar em Mértola

Com um passado tão diversificado e importante, não é de estranhar que visitar Mértola seja tão aliciante. A vila possui um riquíssimo património arquitetónico, de grande valor histórico e cultural, onde se destacam Castelo, Igreja Matriz, Convento de S. Francisco, Torre Couraça e Torre do Relógio.  

Castelo de Mértola

O atual Castelo de Mértola, construído na época medieval, encontra-se assente em antigas fortificações romanas e muçulmanas, tendo sofrido diversas transformações ao longo da História. A Torre de Menagem, mandada edificar em 1292 por D. João Fernandes, Mestre da Ordem de Santiago, alberga um núcleo museológico e dela tem-se uma vista privilegiada sobre a vila e toda a zona envolvente. Imperdível!

Igreja Matriz de Mértola

Situada logo abaixo do castelo, a Igreja Matriz de Mértola, ou Igreja de Nª Srª da Anunciação, foi anteriormente uma mesquita, construída durante a ocupação muçulmana da Península Ibérica. No século XIII, durante a Reconquista, a mesquita foi convertida em igreja cristã. No entanto, manteve a estrutura do antigo templo muçulmano, nomeadamente quatro portas de arco em ferradura e o mirhab (o local que indica a direção de Meca nas mesquitas).

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Exterior da Igreja Matriz de Mértola

Convento de S. Francisco

Edificado no século XVII, por iniciativa do cónego Diogo Nunes de Figueira Negreiros, o convento de S. Francisco de Mértola situa-se numa elevação rochosa a partir da qual se pode desfrutar de uma vista deslumbrante sobre o centro histórico, a ribeira de Oeiras e o rio Guadiana. Neste convento há a destacar a igreja, que apresenta uma só nave e onde ainda é visível um fresco na zona do altar.

Atualmente, o Convento de S. Francisco é um pólo cultural: na igreja decorrem concertos, exposições e outras iniciativas culturais. No jardim é possível ver um conjunto de instalações artísticas que configuram um museu da água ao ar livre. O Convento de São Francisco oferece ainda aos seus visitantes um jardim botânico, uma reserva ornitológica e uma galeria de arte.

Torre Couraça

Foi edificada na época romana, tendo, ao longo dos séculos, resistido a muitas cheias do Guadiana. Esta edificação permitiu aos habitantes de Mértola o acesso à água e a defesa do porto em períodos de guerra.

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Arte nas ruas do centro histórico

Torre do Relógio

Localizada perto do rio Guadiana, é provável que a Torre do Relógio de Mértola tenha sido edificada em finais do século XVI, num dos torreões da muralha, uma vez que existe uma inscrição do ano 1593 no sino da torre. Em 1920, foi acrescentada a escadaria em direção ao cais. Aproveite para a descer e fazer uma caminhada à beira-rio ou então apanhar uma embarcação para dar um passeio de barco.

Museu de Mértola

Fazendo jus à designação de Vila-Museu, Mértola integra 10 núcleos museológicos, nove dos quais espalhados pela vila. Alguns desses núcleos encontram-se implantados em sítios arqueológicos representativos dos diversos períodos da História, como é o caso da Casa Romana, da Basílica Paleocristã, da Ermida e Necrópole de S. Sebastião e da Alcáçova.

Os restantes núcleos – Arte Islâmica, Arte Sacra, Torre de Menagem, Forja do Ferreiro, Oficina de Tecelagem e Casa do Mineiro (o único que fica fora de Mértola, na aldeia de S. Domingos) – estão instalados em edifícios recuperados para o efeito. Estes reúnem importantes conjuntos de materiais arqueológicos, procedentes de diversas intervenções arqueológicas.

Todo o centro histórico de Mértola

Para além dos distintos edifícios e monumentos descritos acima, todo o centro histórico de Mértola, a parte antiga encerrada dentro de muralhas, é um emaranhado de ruas estreitas cuja sombra das casas tradicionalmente pintadas de branco protege do sol intenso do verão.

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Casa nas estreitas ruas do centro histórico

As ruas que sobem e descem a encosta são um deleite para quem gosta de descobrir recantos e pequenas praças, encontrando os afáveis habitantes desta vila do Alentejo, que certamente o saudarão. Entre conversas, suba às muralhas sempre que puder e veja os campos e colinas que os protetores de Mértola vigiaram ao longo dos séculos.

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Casas das ruas do centro histórico de Mértola

Arredores de Mértola – o que visitar

Aproveite para explorar as paisagens deslumbrantes do Parque Natural do Vale do Guadiana, a sua flora e fauna, bem como as suas ermidas (onde ainda hoje se realizam peregrinações), azenhas e moinhos. É uma área que convida a caminhadas, piqueniques, observação de aves, atividades náuticas, pesca e caça.

A conhecida cascata do Pulo do Lobo é uma grande atração turística, situada a cerca de 18 km de Mértola. Este é um dos mais dramáticos trechos do Rio Guadiana, que aqui fica tão estreito que, segundo a lenda, um lobo em caça o transpõe de um só salto. José Saramago descreve-o, no seu livro Viagem a Portugal, como o local onde o “rio ferve entre paredes duríssimas, rugem as águas, espadanam, batem, refluem e vão roendo, um milímetro por século, por milénio, um nada na eternidade”.

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Poço inundado da Mina de São Domingos

Não se esqueça de visitar também as aldeias mineiras do Pomarão e da Mina de S. Domingos, bem como a Praia da Albufeira da Tapada Grande, junto a esta última. Um lugar idílico para desfrutar do interior do Alentejo.

Numa página sobre esta maravilhosa vila do Baixo Alentejo não poderia nunca faltar uma referência ao seu evento mais emblemático, que celebra a sua herança Islâmica, o Festival Islâmico de Mértola. Este festival bianual, que acontece no mês de maio, convida-nos a explorar as texturas, cores, odores, sons e sabores característicos dos souk, os mercados do Norte de África.

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A animação no Festival Islâmico de Mértola

Mértola – provar a região à mesa

Situada num Alentejo profundo e com características singulares, Mértola distingue-se também pela gastronomia alentejana baseada na produção das suas terras pelas mãos das suas gentes. Durante uma visita, delicie-se com queijos, enchidos e presuntos; carnes de vaca mertolenga, borrego campaniço, porco alentejano, pratos de caça; peixe do rio; gaspacho e tomatadas; espargos, cogumelos e túberas.

À mesa, todos estes pratos deverão ser acompanhados pelo pão alentejano e, claro está, por um vinho de Mértola, cujas terras das encostas do Guadiana os produzem há séculos. Para provar na vila ou para levar para casa em jeito de recordação, experimente o doce das costas e popias, das compotas, do mel de rosmaninho. Não se esqueça também de saborear as várias infusões e ervas aromáticas.

Por tudo isto e muito mais, Mértola convida a que se aventure pelas terras do Guadiana numa viagem inesquecível ao passado. Aceite o convite!

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