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Odemira tem, a oeste, este oceano imenso; a leste, uma natureza típica do Alentejo com povoações de gentes acolhedoras.

Odemira – todo o Alentejo num só concelho. Surpreendente.

O concelho de Odemira é um Alentejo Singular. Assim lhe chama o município e com toda a razão. Odemira não é um lugar único no sentido em que é completamente diferente de todo o Alentejo. O que o torna distinto é que reúne em si muitas das características que isoladamente encontramos, aqui e ali, por toda a região.

Para facilitar a diversidade, muito contribui que o concelho seja o maior de Portugal. Isto permite-lhe ter um dos rios menos poluídos da Europa, o Rio Mira. Mas também algumas das praias mais deslumbrantes e ainda selvagens do país. Por vezes, a terra junta-se ao mar em altas escarpas que parecem feitas de propósito para proporcionar vistas magníficas sobre o oceano. Para pessoas e para a fauna que aí habita, como as cegonhas brancas que nidificam nas arribas da costa alentejana, algo exclusivo em todo o mundo.

cegonhas costa alentejana
Um ninho de cegonhas brancas nos penhascos da costa alentejana.

O litoral mas também o interior do concelho de Odemira são lugares excelentes para descobrir caminhando através dos trilhos demarcados na Rota Vicentina. Através do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, somos guiados por caminhos históricos e trilhos usados pelos pescadores locais para chegar aos melhores pesqueiros.

rota vicentina
Descubra a flora da costa alentejana caminhando na Rota Vicentina.

Seguir pelo montado, serra, vales, rios e ribeiras ou junto à orla marítima é uma escolha só sua. Pode, por exemplo, começar no concelho de Odemira em direção a norte e atravessar os de Sines e Santiago do Cacém ou deixar-se atrair pelo Algarve mais a sul, para Aljezur, Vila do Bispo e Lagos.

Ao conduzir pelas estradas do concelho de Odemira vai encontrar o calmo interior onde as gentes simpáticas das aldeias e vilas o vão saudar simpaticamente, à boa maneira alentejana. Por toda a parte no concelho de Odemira, a cultura, a arquitetura das igrejas e outros monumentos, as tradições e gastronomia serão descobertas que garantem a vontade de regressar. Que comece a exploração!

A história por detrás de Odemira

Existem imensos vestígios de culturas anteriores à romanização no concelho, o que prova que o povoamento da região é bastante antigo. A principal razão para o estabelecimento desses povos na terra que hoje se chama Odemira é a sua localização estratégica entre a serra de S. Luís e a orla da serra de Monchique. O Rio Mira constituía também aqui uma via natural de ligação entre o mar e o Alentejo interior.

O nome Odemira, segundo a lenda, nasceu da frase “Ode, mira para os inimigos, donde vêm sobre nós”, dita pela mulher do alcaide mouro (de nome Ode), desde o castelo, ao avistar as tropas cristãs em missão de reconquista de Portugal. Uma outra versão que explica o porquê do nome revela que o termo Ode deriva do árabe Wad (rio) e Mira será uma palavra de origem pré-céltica relacionada igualmente com a palavra “água”.

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A natureza pura num passeio de barco no Rio Mira, desde sempre usado como via de transporte entre o interior do Alentejo e o mar.

Foram os romanos e os árabes que mais marcaram os usos e costumes daqueles que foram habitando Odemira. A já mencionada reconquista da vila foi feita apenas perto de 1238, quando toda a região do Alentejo passou a estar na posse dos cristãos. Em Odemira, os heróis foram, segundo se julga, os frades guerreiros da Ordem de Santiago.

O primeiro foral de Odemira data de 1256 e foi concedido por D. Afonso III. Depois da sua posse ter mudado de famílias várias vezes por decretos reais distintos, o primeiro conde de Odemira foi D. Sancho de Noronha (1446), título concedido por D. Afonso V. No novo foral de 1510, D. Manuel destaca a importância dos montados de gado, dos filões de metais e do porto de mar existente. Ao extinguir-se o condado no século XVII, o território foi incorporado na casa de Cadaval. É já no século XIX que os limites do concelho foram delimitados à imagem daqueles que temos hoje em dia.

Visitar Odemira – a vila

“Plantada” nas margens do já referido Rio Mira, a vila de Odemira é branca como quase todas no Alentejo. Para além da sua arquitetura, vale muito a pena visitar os jardins floridos nas praças e junto ao rio, bem como os miradouros e o comércio local. Pode fazer o seu passeio pela vila seguindo o itinerário que se segue ou, simplesmente, deixar-se guiar pelo seu instinto e pelos sorrisos de quem passa por si.

Iniciando o percurso naquele que consideramos o centro de Odemira, a Praça da República tem como destaque claro o edifício dos Paços do Concelho (séc. XVIII), de elementos dos estilos barroco, neoclássico e neogótico. Mais à frente, a Praça José Maria Lopes Falcão poderia contar histórias dum passado longínquo, quando houve ali uma igreja e um cemitério. Depois realizaram-se feiras de gado. Hoje é o local onde encontramos o Posto de Turismo, onde haverá mais sugestões para visitar Odemira e todo o concelho.

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Paços do Concelho, Odemira.

Situadas ambas na mesma rua (Serpa Pinto), que agora descemos, estão dois edifícios religiosos com uma graça especial dada pelo azul dos detalhes nas paredes, a destoar do branco predominante do Alentejo. A Igreja de Santa Maria, de estilo maneirista, fazia parte de um convento franciscano fundado no séc. XVI. A Igreja de S. Salvador, no lado oposto, tem arquitetura maneirista e barroca do séc. XIV.

Continuando a descer a colina que sustenta a vila, deparamos com a Igreja da Misericórdia, um edifício do séc. XVI, também em estilo maneirista, de formas retangulares e ovais. Aproveite a oportunidade para entrar e ver as magníficas pinturas murais a fresco, um dos fatores que levaram à sua classificação como Monumento de Interesse Público.

No Fontanário da Praça Sousa Prado, construído no séc. XIX com inspiração barroca e rococó a partir de donativos dos moradores, refrescamo-nos enquanto observamos os pormenores. Depois, seguindo pela rua com o mesmo nome, o Edifício dos Correios e da Segurança Social mostra-nos elementos do modernismo e outros que representam o estilo do Estado Novo.

Já em contacto com a natureza, chegamos ao Jardim da Fonte Férrea, nome atribuído devido à fonte de águas ferrosas que aqui existe. Descubra o bonito painel de azulejos que representa um elemento sempre presente em Odemira… Se beber da água da fonte, irá casar em Odemira. Experimente e diga-nos se resultou!

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Ao chegar à Zona Ribeirinha, cuja parte mais agradável fica ainda na margem direita do Rio Mira (que corre para noroeste), abrande um pouco. Passe aqui algum tempo apreciando toda a envolvência e a obra de arte “Árvore”. Comece já aqui, ou deixe para depois, o Caminho Histórico da Rota Vicentina, um percurso rural com 263km (em 13 etapas) que nos leva até outras vilas e aldeias.

A servir de aquecimento para a Rota Vicentina, faça o Percurso Ribeirinho em Odemira. São apenas 650m que nos põem em contacto com a natureza e dão a conhecer a bacia hidrográfica do Rio Mira através de painéis interpretativos. No final deste percurso, perto da ponte rodoviária, encontrará os Marcos da Barca. Serviam para fixar os cabos que puxavam a barca que, entre os séc. XVI e XIX, era a única forma de atravessar o rio. O pagamento… a reza de um Pai-Nosso e uma Até-Maria pela alma da rica viúva que fundou a instituição Albergaria da Barca.

Passando o rio pela ponte, existem mais dois edifícios históricos. O primeiro é a Fábrica do Miranda, uma grande fábrica de moagem de trigo e descasque de arroz. Permitiu que durante muito tempo, desde o início do séc. XX, esta fosse a segunda indústria do concelho de Odemira, depois da corticeira.

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Moinho de Vento Municipal, no Cerro dos Moinhos Juntos, Odemira.

O segundo edifício que merece destaque é a Ermida de Nossa Senhora da Piedade (séc. XIX). Repare que está erguida num pequeno monte. A original era um pouco mais abaixo e sujeita às cheias. Na Baixa Idade Média, era famosa pelos seus milagres, razão pela qual se tornou um centro de peregrinação.

Voltando a cruzar o rio, trace a rota, a pé ou de carro, para subir ao Cerro dos Moinhos Juntos. Antes ainda de se deliciar com a vista e o som do vento a “cantar”, vai apaixonar-se pelo Moinho de Vento Municipal, preservado e em pleno funcionamento apesar de ter começado a moer em 1874.

Visitar Odemira – partir pelo concelho

Antes ou depois de explorar a vila de Odemira, tem toda uma região para descobrir. Começar pela costa ou pelo interior é uma escolha inteiramente sua.

O litoral

Caminhar junto ao mar seguindo a Rota Vicentina

Alguns dos trilhos bem demarcados da Rota Vicentina proporcionam vistas formidáveis sobre o Oceano Atlântico, que inspirou os portugueses a iniciar as épicas Descobertas. Caminhamos embalados pelo som das ondas do mar, ali ao nosso lado ou mais longe, no fundo das falésias. Somos Um com a Natureza.

No concelho de Odemira, são 55 os quilómetros de costa. Por certo irá encontrar os seus trechos preferidos. Mas um lugar de relevo das suas memórias futuras será o Farol do Cabo Sardão. Protege os marinheiros da costa rugosa desde 1915. E tem a originalidade de ser o único farol em Portugal com a porta de entrada a dar para o mar…

farol cabo sardao
O Farol do Cabo Sardão é uma paragem obrigatória para quem caminha na Rota Vicentina atravessando o concelho de Odemira.

Durante as suas caminhadas, os motivos para fazer uma pausa serão imensos. Seja para interagir com as acolhedoras gentes das aldeias e vilas como Zambujeira do Mar ou Vila Nova de Santo André, seja para observar a paisagem e as aves que a adornam desde os céus ou dos seus ninhos. As inúmeras praias acessíveis quando os penhascos diminuem, temporariamente, a sua imponência são também sempre um convite praticamente irrecusável a um descanso mais ou menos prolongado.

Vai ainda deparar-se com lugares especiais como o Porto de Pesca de Lapa de Pombas e o Porto das Barcas, onde a pesca tradicional ainda é, como há séculos, premiada com a riqueza destes mares.

porto pesca lapa pombas
O Porto de Pesca de Lapa de Pombas, em Longueira/Almograve, é um lugar único, onde as falésias de rochas guardam os barcos pesca artesanal.

Deixar-se ficar nas praias

As praias de Odemira e a sua diversidade têm o dom de surpreender. Algumas têm um longo areal, outras nem por isso. Algumas possuem a conveniência de estarem numa pequena zona urbana, outras são selvagens e mais exclusivas. Umas são ótimas para relaxar na areia, outras convidam à prática de desportos náuticos. Há ainda as naturistas, onde a harmonia com a natureza é total.

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Praia em Vila Nova de Milfontes.

Em comum, as praias da costa de Odemira têm o galardão Bandeira Azul, sinónimo de qualidade ambiental. A maioria é acessível e equipada para que aqueles com mobilidade condicionada delas possam desfrutar.

Vale a pena demorar-se por esta zona costeira de Portugal para ter tempo de conhecer as várias praias. Só assim poderá eleger a sua preferida. Uma sugestão que podemos fazer é que explore a pouco e pouco, partindo do centro urbano mais próximo, como aqui enunciamos.

Vila Nova de Milfontes

  • Praia do Malhão – extenso areal, naturismo na zona norte, boa para bodyboard/surf
  • Praia do Farol – na foz do Rio Mira, acesso fácil, ondas pequenas
  • Praia da Franquia – águas do rio Mira misturadas com as do oceano, boa para a prática da canoagem
  • Praia das Furnas – rio e mar, já foi considerada a melhor praia de rio em Portugal
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Um passeio de barco na foz do Rio Mira mostra-nos esta vista magnífica de Vila Nova de Milfontes.

Almograve

  • Praia do Almograve – piscinas naturais no areal durante a maré baixa, ótima para famílias, rochas lindíssimas, boa para bodyboard/surf
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Passeio a pé na Praia de Almograve, concelho de Odemira.

Zambujeira do Mar

  • Praia da Zambujeira do Mar – talvez a melhor praia urbana de Portugal, envolta em altas falésias, ondulação forte, ótima para bodyboard/surf
  • Praia dos Alteirinhos – difícil acesso por uma escadaria, exclusiva e tranquila, naturismo
  • Praia do Carvalhal – pouco frequentada, protegida por duas arribas
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Olhando o oceano na Zambujeira do Mar.

O interior de Odemira

Ao afastar-se do mar, um outro mundo é revelado no interior de Odemira. Por entre vales e colinas, atravessamos um Alentejo cujas paisagens onde predominam oliveiras e sobreiros nos são familiares.

Não tarda muito até encontrarmos novamente a água, desta feita na Barragem de Santa Clara, alimentada também pelo inevitável Rio Mira, que nasce não muito longe, na Serra do Caldeirão. Sem grandes povoações por perto, a barragem é o cenário monumental para esquecer as horas do relógio.

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Atividades náuticas na Barragem de Santa Clara, interior do concelho de Odemira.

Aproveite para isso a praia fluvial. Observe as margens, pequenas ilhas e edifícios submersos de bem perto praticando canoagem ou fazendo um passeio de barco. Ainda a bordo ou em terra, dedique-se à pesca desportiva de achigã ou carpa.

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A vista para as margens da Barragem de Santa Clara é assim…

Perto da Barragem de Santa Clara, empenhe-se em achar a Ponte D. Maria, na freguesia de Santa Clara-a-Velha. Por ter perto uma via romana que ligava Beja ao Algarve chamam-lhe Ponte Romana. Na verdade, foi construída só no séc. XVIII. Os nenúfares sobre a água são as plataformas de eleição para as rãs que por lá saltitam. Um pouco para norte fica a Estação Arqueológica da Necrópole do Pardieiro, um espaço funerário onde, na Idade do Ferro, se deixaram lápides epigrafadas com a Escrita do Sudoeste, um dos mais antigos sistemas de signos conhecidos na Península Ibérica.

Nas muitas pequenas povoações pintadas de branco que podemos visitar em Odemira, por todo o interior do concelho, algumas têm claramente algo que as distingue. É o caso da Igreja Paroquial de São Martinho das Amoreiras (séc. XVIII), construída nos estilos barroco, rococó e neoclássico.

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Igreja Paroquial de São Martinho das Amoreiras com o sol a torná-la (ainda) mais bela.

A Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Colos, não é tão imponente mas é também muito bela. Ainda perto desta aldeia fica a Ermida Nossa Senhora das Neves, palco de romarias locais a 5 de agosto.

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Num dos extremos de Colos, no concelho de Odemira, encontramos a Igreja de Nossa Senhora da Assunção.

Comer e beber em Odemira

O facto do concelho de Odemira ser um Alentejo Singular que engloba em si características tão diversas reflete-se, obviamente, na sua gastronomia. A simbiose entre a serra, a planície, o mar e o rio são indícios suficientemente reveladores para que o adivinhássemos.

Nos restaurantes da região, peça para a mesa o peixe e o marisco bem frescos que se apanha no mar ou no rio. Os pratos tradicionais alentejanos também aqui têm lugar, como as sopas de pão ou as açordas, mas também os da carne que o concelho produz. Não perca a oportunidade para provar queijos e enchidos. Para depois da refeição principal, experimente a aguardente de medronho e, por exemplo, os doces Bolo Lêvedo, Bolo de torresmos e Alcôncoras (biscoitos de azeite e mel).

A sua visita

Como já reparou, as paisagens de natureza pura a perder de vista são motivos mais do que suficientes para visitar Odemira. Mas há muitos outros! Com uma oferta tão extensa, o concelho de Odemira é perfeito para reunir a família ou amigos mas também para viver momentos românticos a dois. Qualquer que seja o caso, sabemos que esta zona encantadora do Alentejo já está nos seus planos de viagem para breve.

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